Scania testa 5G com caminhão autônomo

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A Scania colocou um caminhão para rodar praticamente sozinho na Suécia. E, mais do que isso, decidiu fazer o teste em condições reais de tráfego. Nesta segunda-feira (23), a marca deu início à avaliação com o uso da rede 5G para viabilizar o piloto automático em trechos da rodovia E4, entre Södertälje e Nyköping.

Enquanto o caminhão roda guiado por sistemas autônomos, especialistas da Telia e da Ericsson garantem a espinha dorsal do projeto. Ou seja, conectividade estável, veloz e com latência mínima. Portanto, o objetivo vai além de um simples teste tecnológico. A iniciativa quer provar que o 5G pode sustentar operações comerciais no futuro.

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5G como peça-chave da automação

A principal carta na manga do 5G está na velocidade de transmissão de dados e, sobretudo, na latência de apenas 1 milissegundo. Em outras palavras, o sistema praticamente elimina o atraso entre envio e recebimento de informações. Isso faz toda a diferença quando um caminhão de dezenas de toneladas trafega em alta velocidade.

Além disso, a rede permite transmitir dados críticos em tempo real. Ou seja, informações sobre acidentes, obstáculos ou mudanças repentinas no tráfego chegam quase instantaneamente ao veículo. Consequentemente, o sistema de piloto automático consegue reagir com muito mais precisão.

Não por acaso, o teste sueco foca justamente na aplicação prática dessas vantagens. Em vez de simulações fechadas, a Scania decidiu colocar o protótipo para enfrentar o mundo real, com carros ao redor, clima variável e interferências típicas de uma rodovia movimentada.

Motorista vira supervisor

Durante os testes, o caminhão percorre a E4 guiado pelo piloto automático. O motorista permanece a bordo, mas assume papel diferente. O de supervisionar o sistema e intervir apenas em situações de emergência.

Ao longo do trajeto, o veículo mantém conexão constante com transmissores 5G instalados na rota. Ao mesmo tempo, as equipes técnicas analisam como a rede se comporta em cenários reais de tráfego. Entre os pontos avaliados, destacam-se a segmentação de rede em situações dinâmicas e a priorização de Qualidade de Serviço (QoS).

Na prática, a priorização de QoS garante que pacotes de dados considerados críticos, como comandos de frenagem ou alertas de risco, recebam tratamento preferencial na rede. Assim, mesmo que haja congestionamento de dados, o sistema mantém a integridade das informações essenciais para a condução autônoma.

Rumo a rotas fixas sem motorista

Os testes não surgiram do nada. O Grupo Traton já anunciou em 2024 a intenção de acelerar o desenvolvimento de soluções autônomas para transporte em rotas fixas. O grupo reúne, além da Scania, a MAN, Volkswagen Caminhões e Ônibus e International.

Desde então, as marcas ampliaram investimentos em direção autônoma e reforçaram parcerias estratégicas. Dessa forma, o projeto atual na Suécia representa mais um passo concreto rumo à comercialização de sistemas de piloto automático avançado.

Primeiro, a tecnologia deve atender corredores logísticos previsíveis, como ligações entre centros de distribuição e portos. Depois, conforme os sistemas amadurecem e a legislação evolui, o conceito pode ganhar escala.

Por enquanto, o caminhão da Scania segue rodando na E4 sob olhar atento de engenheiros e técnicos. No entanto, o que hoje parece experimento pode se transformar, em poucos anos, em parte da rotina do transporte pesado europeu.