A Marcopolo apresentou nesta quarta-feira (14) o protótipo de um micro-ônibus totalmente autônomo. Trata-se de um Volare Attack 8 com nível 4 de automação, que dispensa motorista ou intervenção remota. O veículo é o primeiro na América do Sul com essa tecnologia.
O projeto é resultado de dois anos de estudos e tem como parceiros várias empresas brasileiras de tecnologia. O veículo é equipado com um sistema robótico que traça a rota e identifica semáforos, pessoas, animais etc. Nessa fase, o protótipo trafega em circuitos fechados e em baixa velocidade.

Com 7.385 mm de comprimento, o micro autônomo tem capacidade para o transporte de 21 passageiros sentados. O motor é o Cummins ISF3.8 com potência de 152cv e a transmissão é automática.
O funcionamento do veículo é comandado por um computador de bordo que processa todos os dados. Além disso, um conjunto de sensores e câmera instalados ao redor do micro têm a finalidade identificar obstáculos, pessoas, desviar, frear etc.
A inteligência embarcada faz a contagem de passageiros e também alerta, por meio de um display, o assento cujo cinto de segurança precisa ser afivelado. O sistema autônomo inclui também itens focados na segurança e no conforto.
Todo o hardware e software são instalados diretamente no veículo. Assim, nenhuma das funções de condução dependem de conexão com a internet. Direção, freios, acelerador e cambio são controlados por módulos de comando elétricos e pneumáticos.
Desenvolvimento é todo brasileiro
O protótipo do Volare Attack 8 foi desenvolvido com índice entre 80 e 90% de nacionalização. Segundo a empresa, não é maior porque os sensores são importados. A Marcopolo e seus parceiros prevêm a aplicação dessa tecnologia em veículos para diferentes aplicações.

Assim como em outras partes do mundo, os veículos autônomos se encontram na fase de operação somente em circuitos fechados e controlados. Os locais mais comuns são operações em sites de mineração e áreas portuárias.
A solução aplicada ao Volare Attack foi desenvolvida também em estradas sem pavimento para o veículo não precisar de infraestrutura viária. Os testes de rodagem começaram em dezembro do ano passado.
Projeto destaca potencial do Brasil
O diretor de estratégia e transformação digital da Marcopolo, João Paulo Ledur, destacou que os primeiros estudos para o desenvolvimento do micro-ônibus autônomo reforçam o conhecimento e o potencial de inovação da engenharia do Brasil.
O executivo disse também que essa iniciativa insere o País no seleto grupo de nações que estudam a viabilidade da tecnologia em veículos autônomos. Ele destacou Alemanha, China e Estados Unidos.
O projeto do micro-autonômo é desenvolvido pela Marcopolo Next, a área da empresa responsável pelas inovações conectadas ao futuro da mobilidade. Uma das principais parceiras é a Lume robotics, startup brasileira de mobilidade autônoma.
A escolha do Volare Attack 8 se deve à sua versatilidade, item importante nessa etapa do projeto. Essa tecnologia poderá ser aplicada a outros modelos de ônibus, desde que tenham transmissão automática.

















