Depois da forte retração sofrida pelo segmento por causa pandemia da covid-19, em 2020 e 2021, o mercado de ônibus voltou a respirar, com emplacamentos de 7.297 entre janeiro e junho desse ano. O total ficou abaixo do primeiro semestre de 2021, porém o desafio maior agora é a falta de componentes, porque os clientes têm motivos e querem comprar. “2022 é o ano para viramos a chave, tem mais oportunidades do que desafios”, comemorou o Walter Barbosa, Diretor de Vendas e Marketing Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil.
De acordo com o executivo, os desafios agora são outros, mas estão afetando a entrega de veículos aos operadores. O principal deles é a falta de produtos que tem impactado a cadeia logística e limita a linha de produção. Barbosa destacou também a dificuldade de disponibilidade de crédito, bem como os juros com taxas celic acima de 13% ao ano (quase o dobro de um ano atrás) para completar o aumento do aço em 125%.

“Exceto o segmento de fretamento, todos os demais cresceram (micro, escolar, urbano e rodoviário). No geral, o mercado de ônibus cresceu mais de 50% esse ano, mas não é possível de ver isso pelo número de emplacamentos, porque existe um descompasso em relação aos números do Renavam”, explicou Walter Barbosa, lembrando que somente agora a Mercedes-Benz está entregando ônibus fechados em janeiro.
A recuperação das vendas se deve a diferentes motivos: em parte pela vacinação que permitiu o retorno de passageiros, incluindo o sistema híbrido de trabalho; conta também o fato de 2022 ter eleição; de compra de veículos escolares e também de interesse dos operadores em comprar veículos Euro 5 (que podem ser faturados até 31 de março de 2023) e fugir de pagar mais pelos modelos Euro 6 produzidos a partir de 01 de janeiro.
“Hoje não se entrega o que vende. Se tudo correr bem, no segundo semestre o mercado chegará a 22 mil unidades. Se não for possível resgatar parte do mercado, o total ficará em aproximadamente 17 mil unidades. Isso não depende de pedidos e sim da produção de veículos, pois falta componentes”, reforçou.

Walter Barbosa destacou que pela primeira vez a Mercedes-Benz atingiu a liderança de participação no segmento de micro ônibus até o fechamento de junho de 2021). De acordo com os números apresentados, no período a empresa obteve crescimento de 27% em relação a 2021. Foram 30,6% no modelo escolar, 72% no urbano, 43,5% no fretamento e 75% no rodoviário. Neste último caso, a justificativa é que com a alta do preço das passagens aéreas os passageiros passaram a viajar mais de ônibus.
Ônibus 100% elétrico
Apresentado em gosto de 2021, o eO500U, primeiro ônibus movido a bateria elétrica produzido no Brasil pela Mercedes-Benz, está pronto e começa a operar ainda esse ano. Desenvolvido para a realidade das operações no Brasil, o eO500U passou por uma série de testes envolvendo o motor elétrico, eixo, acústica, sistema elétrico, freio etc, em 1 milhão de quilômetros rodados com dois protótipos em testes no Brasil e dois na Alemanha. Trata-se de um ônibus padron de 12,5m de comprimento e capacidade para o transporte de 84 passageiros (sentados e em pé) e um cadeirante.

A estratégia da Mercedes para entrar no segmento de ônibus elétrico foi desenvolver um produto adequado à realidade do Brasil ao invés de optar por trazer da Europa um produto pronto. No entanto, os dois motores do veículo contam com tecnologia da Alemanha. Com potência de 340cv, o eO500U pode usar 4 ou seis packs de bateria com autonomia total de 250 km.
De acordo com Walter Barbosa, Diretor de Vendas e Marketing Ônibus da empresa, a Mercedes já realizou alguns negócios com o eO500U, no entanto destacou que os desafios da eletrificação são bem diferentes daqueles com veículos movidos diesel, com os quais a indústria convive há mais de 60 anos . “É outro ecossistema onde tudo é diferente, pois além do produto a Mercedes-Benz vai fornecer recarga de energia, projeto de construção e instalação da infraestrutura necessária nos clientes.
Barbosa cita também os serviços digitais que indicarão ao operador o melhor momento para recarregar o veículo e assim extrair a melhor performance das baterias. Outro exemplo é a necessidade de mão de obra especializada com o treinamento necessário e obrigatório para lidar com manutenção, peças etc.

Ainda no âmbito de ônibus elétrico, a Mercedes-Benz tem parceria com a Eletra para o fornecimento de 108 chassis articulados de 21,5m e padron de 12,5m, dos quais 96 serão destinados ao município de São Bernardo do Campo/SP, e os demais para as cidades de Salvador/BA e Vitória/ES. A eletrificação será por conta dos operadores com powertrain WEGA. Deste lote total, ao menos 10 unidades começam a operar entre setembro e dezembro desse ano.
Walter Barbosa disse ainda que as demais unidades não ficarão prontas para operar por conta da preparação da obra viária onde os veículos irão circular. O executivo acrescentou que o preço de um ônibus 100% elétrico é de três a três vezes e meia maior que o preço de um modelo convencional a diesel. A estimativa para o mercado total de ônibus movidos a bateria élétrica de uma frota com cerca de 3.000 unidades em operação no Brasil até o final de 2024.















