O programa Move Brasil 2 já começou a mudar o ritmo do mercado de ônibus. Segundo Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), a fabricante financiou mais de 150 unidades apenas na primeira semana de operação da linha por meio do Banco Traton, braço financeiro da companhia, e bancos convencionais do mercado.
O executivo acredita que os recursos destinados ao segmento devem ser consumidos em um prazo menor do que o inicialmente previsto pelo governo. Embora o programa disponha de R$ 21,2 bilhão para caminhões e ônibus, a demanda avança em velocidade superior à observada na primeira edição.
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“O cliente já conhece o programa, sabe das vantagens e não precisou esperar para entender como funciona. Por isso, os negócios começaram a ser fechados imediatamente após a liberação dos recursos”, afirmou.
Antecipação de compra
De acordo com Alouche, o mercado vive uma corrida para garantir acesso às taxas subsidiadas. Muitas empresas que planejavam renovar a frota apenas no segundo semestre anteciparam as compras para assegurar o financiamento.
Assim, a avaliação da VWCO é que a disponibilidade dos recursos para ônibus que é de R$ 2 bilhões pode terminar até o final de junho. No entanto, o executivo faz uma distinção importante entre a alocação do crédito e o faturamento efetivo dos veículos.
“Eu acredito que o recurso deve ser consumido até mais tardar o começo de julho. Porém, o faturamento acontece depois. Afinal, o ônibus ainda precisa ser produzido, encarroçado e entregue ao cliente”, explicou.
Move Brasil e outros recursos
Segundo Alouche, o segmento de ônibus tende a absorver rapidamente os recursos porque o financiamento contempla não apenas o chassi, mas também a carroceria.
“O ônibus consome mais crédito por unidade. Em muitos casos, a carroceria custa mais do que o próprio chassi. Por isso, o volume destinado ao segmento pode acabar antes”, afirmou.
Além do Move Brasil 2, operadores de transporte também recorrem a outras linhas, como o Refrota e programas específicos do BNDES. Mesmo assim, o executivo considera o novo programa o principal catalisador das vendas em 2026.
Dessa forma, a percepção da montadora é que o mercado já apresenta sinais claros de antecipação de demanda. Clientes que tradicionalmente aguardavam feiras do setor ou o segundo semestre para fechar negócios decidiram acelerar os investimentos para garantir acesso ao crédito subsidiado.

















