A operação de seminovos da Volvo Caminhões encerrou 2025 com um desempenho histórico. Após a venda de 2.669 unidades, o melhor resultado em quase três décadas de atuação, a companhia reforçou sua liderança no segmento. Agora, abre 2026 com uma demanda ainda aquecida. Embora o cenário de juros altos tenha travado parte das renovações de frota no mercado de caminhões 0-km, o movimento acabou impulsionando a busca por modelos usados com procedência e liquidez rápida.
Essa avaliação é de Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo Caminhões, que detalha como a Volvo converteu um contexto desafiador em um ciclo de resultados recordes.
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Liquidez da marca e rede estruturada impulsionam vendas
Segundo Alcides, o juro em dois dígitos funcionou como um divisor de águas. Embora tenha encarecido o crédito para todos, empurrou muitos pequenos e médios transportadores para soluções mais acessíveis. Dessa forma, o seminovo Volvo ganhou espaço.
“As taxas de juros somadas ao preço mais alto do caminhão novo inviabilizaram parte da renovação das frotas. Muitos clientes optaram pelo seminovo porque a parcela cabia no orçamento e porque a liquidez dos nossos caminhões é muito maior”, explica.
Ademais, segundo o executivo a rede tem papel central nesse desempenho. Com todas as concessionárias operando o mesmo padrão de compra, avaliação, reforma e revenda, o estoque gira rápido.
“Se o caminhão não vende, o estoque para e o risco sobe. Mas conseguimos movimentar tudo com muita velocidade. Um Volvo seminovo bem avaliado vende entre 15 e 30 dias. Já alguns modelos concorrentes levam meses”, completa.
Procura se concentra em veículos de até três anos
Seja como for, a oferta mais procurada permanece sendo o segmento extrapesado. Tradicionalmente, os modelos Volvo FH 540 6×4 e FH 460 6×2 lideram a revenda e repetiram a hegemonia em 2025.
Conforme Alcides, a procura se concentra em unidades de até três anos. Embora caminhões Euro 5 com até quatro anos de uso também circulem com boa aceitação. Mas desde que a quilometragem esteja em níveis considerados saudáveis pelo mercado.
“Quando o caminhão passa de 700 ou 800 mil km, a revenda já fica mais difícil. A idade importa, sim. Mas o quilômetro pesa muito na decisão. Por isso analisamos caso a caso”, explica.
Financiamento segue dominante, mesmo com juros altos

Apesar da Selic de 15%, a maior parte das compras foi financiada em 2025. O tíquete médio menor dos usados manteve as parcelas dentro da capacidade de pagamento do transportador.
“A prestação do seminovo cabe no fluxo de frete. Isso possibilita financiar mesmo com juros maiores”, resumiu Alcides.
Houve também compras à vista, mas o financiamento segue predominante. A confiança no valor de revenda da marca sustenta a decisão dos clientes.
Move Brasil acelera antecipação de compras no início de 2026
A entrada em vigor do Move Brasil, programa federal que reduz taxas de financiamento para veículos pesados, provocou uma corrida às concessionárias. De acordo com Alcides, muitos clientes que planejavam comprar apenas no segundo semestre decidiram antecipar a decisão. Mas esse movimento está mais pujante no caminhão 0-km, mesmo o programa também ser direcionado ao segmento de usados e seminovos.
Nesse sentido, Alcides Cavalcanti acredita que a partir de março é possível que o movimento de compra de seminovos seja maior.
Ainda assim, ele alerta que o efeito positivo é temporário. “Tudo que é artificial, quando termina, cobra seu preço. O setor precisa de um programa perene de renovação de frota, alinhado à retirada de veículos muito antigos e à inspeção veicular, que é fundamental”, completa.
Desafios de acesso ao crédito
Embora o Move Brasil ofereça taxas competitivas, há entraves. Muitos transportadores enfrentam restrições ou pendências tributárias estaduais. Ou seja, elementos que impedem a aprovação imediata.
“Tem cliente com recurso aberto por multa ou autuação de ICMS que demora meses para resolver. Isso restringe o acesso ao programa, mesmo quando há intenção de aproveitar o incentivo”, disse Alcides.
Mercado segue firme, mas depende de continuidade nos estímulos
Seja como for, o bom momento dos seminovos previsto com o Move Brasil deve seguir até maio, prazo em que a medida perde validade. Depois disso, o setor teme uma retração caso o programa não seja renovado. Mas depende de como ficará a Selic a partir desse período.
Todavia Alcides é taxativo ao afirmar que a indústria só avançará de forma sustentável quando houver uma política nacional permanente de renovação de frota. Ou seja, algo que estimule realmente a retirada de veículos com mais de 20 anos e garanta condições para que o transportador faça a troca.
















