A forte presença de pneus importados no mercado brasileiro ampliou a concorrência e intensificou o debate sobre qualidade, desempenho e custo operacional no transporte rodoviário. No entanto, segundo Marcos Aoki, diretor comercial da Bridgestone no Brasil, o diferencial dos produtos desenvolvidos localmente está na adaptação às condições específicas do País.
De acordo com o executivo, a Bridgestone investe continuamente em testes e desenvolvimento para atender às particularidades das estradas brasileiras, bem como do perfil das transportadoras e da realidade operacional das empresas.
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Nesse contexto, Aoki destaca que o foco principal está na performance. “Quando falamos de pneus desenvolvidos para o Brasil, olhamos principalmente para a quilometragem e para o desempenho em operação. Nossos testes mostram que o pneu oferece uma performance quilométrica maior já na primeira vida em comparação com muitos produtos de origem asiática”, afirma.
Além disso, o executivo reforça que o desenvolvimento envolve uma estrutura complexa. Um pneu moderno, como os da Bridgestone, reúne diversos componentes, como cintas e lonas de aço, talões e compostos específicos de borracha, que trabalham juntos para garantir resistência, segurança e durabilidade.
Carcaça de qualidade amplia o ciclo de vida do pneu, diz Bridgestone
Outro ponto central destacado por Aoki envolve a qualidade da carcaça, elemento fundamental para a recapagem. Assim, segundo ele, o projeto do pneu não considera apenas a primeira vida do produto, mas todo o seu ciclo de utilização.
“Quando o transportador consegue rodar com o pneu novo e depois realizar uma, duas ou até três recapagens, ele reduz significativamente o custo da operação”, explica.

A lógica econômica se torna clara. Enquanto um pneu novo exige um investimento maior, a recapagem custa cerca de um terço do valor de um produto novo. Portanto, quanto mais vezes a carcaça puder ser reaproveitada, menor será o custo por quilômetro rodado.
Consequentemente, transportadores e frotistas passaram a olhar o pneu de forma mais estratégica. Avaliando não apenas o preço inicial, mas o desempenho ao longo de toda a vida útil.
Avanço dos importados impacta mercado de recapagem
Apesar dessas vantagens, o crescimento dos pneus importados tem provocado mudanças importantes no setor. Segundo Aoki, muitos desses produtos não apresentam carcaça adequada para recapagem, o que reduz o volume de pneus reformados no mercado.
“Uma carcaça de qualidade é a matéria-prima do recapador. Se o pneu não permite reforma ou não oferece segurança para isso, o mercado de recapagem diminui”, explica.
De acordo com o executivo, o equilíbrio entre pneus novos e recapados ainda permanece relativamente estável. Atualmente, cerca de 50% dos pneus em operação no transporte passam por recapagem, enquanto os outros 50% correspondem a pneus novos.
No entanto, antes da pandemia, essa proporção era maior para os recapados. Entre 2019 e 2020, o índice chegava a cerca de 54% ou 55% de pneus reformados, contra aproximadamente 45% de pneus novos.
Portanto, se a tendência de importações continuar crescendo, o setor de recapagem poderá enfrentar uma redução gradual.
Sustentabilidade entra na conta do transportador
Além do impacto econômico, Aoki ressalta a dimensão ambiental do tema. A reutilização das carcaças reduz o descarte de materiais e prolonga o uso de recursos como borracha e aço presentes no pneu.
Segundo ele, utilizar o produto apenas uma vez gera desperdício e aumenta a quantidade de resíduos. Por outro lado, quando o pneu passa por recapagens sucessivas, o ciclo de vida se estende e o impacto ambiental diminui.
Nesse cenário, iniciativas de logística reversa também ganham relevância. Fabricantes instalados no Brasil participam de programas de recolhimento e destinação adequada de pneus usados, enquanto parte dos produtos importados não segue necessariamente os mesmos padrões.
Custo por quilômetro define a escolha
Diante desse cenário, Aoki acredita que transportadores e caminhoneiros precisam avaliar o pneu de forma mais ampla. Em vez de considerar apenas o preço inicial, a decisão deve levar em conta quilometragem, possibilidade de recapagem e custo total de operação.
“Nosso objetivo não é competir apenas pelo preço imediato. Queremos entregar o melhor custo por quilômetro rodado para o caminhoneiro e para o frotista”, afirma.
Assim, a tecnologia aplicada aos pneus e a durabilidade das carcaças tornam-se fatores decisivos para o desempenho das frotas. Afinal, em um setor onde cada centavo influencia o resultado da viagem, eficiência e vida útil mais longa podem representar uma diferença significativa no balanço final da operação.

















