A chinesa SuperPanther prepara sua entrada no mercado europeu de caminhões elétricos e, ao mesmo tempo, envia um recado direto ao setor. A empresa não pretende olhar para o diesel. Em vez disso, aposta em uma estratégia focada exclusivamente na eletrificação e projeta colocar 16 mil caminhões elétricos em operação no velho continente até 2030.
Além disso, a companhia já definiu seu cronograma inicial. Vai produzis em série na Áustria. A meta inicial prevê a entrega de 100 a 200 unidades até o fim de 2026. Ou seja, um volume contido, porém estratégico como ponto de partida para uma expansão mais ampla.
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Estratégia vai além da venda de caminhões
Por outro lado, a SuperPanther não quer atuar apenas como montadora. A empresa também pretende fornecer tecnologia para outros fabricantes. Dessa forma, amplia sua atuação no ecossistema de mobilidade elétrica. Nesse sentido, desenvolve soluções próprias, como eixo elétrico, sistema de gerenciamento térmico e softwares embarcados.
Ao mesmo tempo, o discurso da marca reforça esse posicionamento. Frank Schulz, diretor de vendas para a Europa, resume a proposta de forma direta. “Não temos experiência com diesel”. Assim, a companhia assume uma identidade 100% elétrica desde sua origem, o que a diferencia de concorrentes tradicionais em processo de transição.

eTopas 600 aposta em autonomia e potência
Para marcar sua estreia, a fabricante escolheu o modelo eTopas 600. Trata-se de um cavalo-mecânico 4×2 desenvolvido especificamente para o mercado europeu. O caminhão utiliza bateria LFP da CATL com capacidade de 621 kWh. Portanto, promete autonomia de até 500 quilômetros.
Além disso, o conjunto motriz entrega 394 kW de potência (528 cv) contínua e atinge pico de 692 kW (927 cv). Seja como for, o modelo tem peso bruto total de 42 toneladas e carga útil próxima de 24 toneladas. E se posiciona como alternativa viável para operações de longa distância.
Carregamento rápido vira diferencial competitivo
Outro ponto central está no sistema de recarga. O eTopas 600 incorpora tecnologia Dual Gun com dois conectores CCS2, um de cada lado. Dessa forma, o caminhão pode operar com até 660 kW de potência combinada.
Consequentemente, o tempo de carregamento cai. Assim, em condições ideais, a bateria vai de 20% a 80% em menos de 38 minutos. No entanto, essa performance depende da compatibilidade com a infraestrutura disponível, o que leva a empresa a trabalhar em conjunto com fornecedores de carregadores.
Produção híbrida acelera entrada no mercado

Enquanto isso, a estratégia industrial também chama atenção. A SuperPanther utiliza módulos pré-montados vindos da China e integra componentes de fornecedores europeus, como ZF, Schaeffler e Continental.
Com isso, a empresa reduz o tempo de entrada no mercado e, ao mesmo tempo, adapta o produto às exigências locais. Inclusive, protótipos já circulam em testes com clientes, e a DHL figura entre as companhias que avaliam parcerias.
Rede de serviços sustenta expansão
Por fim, a SuperPanther busca consolidar sua presença com uma estrutura de pós-venda robusta. Para isso, firmou parceria com empresas do segmento. O que lhe garante acesso a mais de 700 oficinas na Europa.
Assim, a marca reforça sua estratégia de competir por valor agregado e custo total de propriedade, e não apenas por preço. Em um mercado cada vez mais pressionado por metas de descarbonização, a ofensiva da SuperPanther sinaliza que a disputa no segmento de caminhões elétricos tende a se intensificar nos próximos anos.
















