Fiscalização da tabela de frete vai puxar venda de 6×4 e rodotrem, diz Librelato

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O mercado de implementos rodoviários entrou em 2026 com um movimento inesperado. Em outras palavras, a fiscalização efetiva da tabela de frete, que começou no fim de 2025, alterou profundamente o tipo de implementos e caminhões que o transportador procura.

João Librelato, diretor comercial e marketing da Librelato, uma das maiores fabricantes de implementos rodoviários do País, afirma que a mudança na forma como o piso mínimo passou a ser cobrado “virou uma chave” na escolha das composições. Do mesmo modo, mexeu nos valores de usados e criou uma pressão inédita sobre a renovação de frota.

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João Librelato explica que, quando o governo criou a tabela em 2018, não existiam configurações como o quarto eixo, que ganhou enorme adesão nos últimos dois anos. No entanto, desde que a fiscalização eletrônica entrou em vigor, muitos motoristas começaram a perceber que a tabela não remunera corretamente o frete do quarto eixo. O que abriu uma nova corrida por composições consideradas mais atrativas do ponto de vista legal e econômico.

“Os motoristas reclamaram, os transportadores recalcularam e, consequentemente, o mercado começou a correr para outras configurações. Principalmente os rodotrens”, afirma.

Fiscalização da tabela de frete vai puxar venda de rodotrem e 4º eixo, diz Librelato
A fiscalização da tabela de frete já muda o comportamento do transportador e redefine quais implementos entram no radar de compra

Transportadores desovam três eixos e correm para reconfigurar suas frotas

João relata que o impacto mais imediato recaiu sobre o mercado de usados. A corrida dos últimos anos para migrar dos três eixos para o quarto eixo agora se inverte. Com a fiscalização mais rigorosa, muitos transportadores tentam “desovar” rapidamente seus implementos menores. Assim, encontram, pela primeira vez, desvalorização forte e acelerada. Sobretudo da carreta três eixos.

“Um implemento de três eixos que valia cerca de R$ 100 mil teve queda de valor entre 30% ou até 40% por causa dessa mudança”, afirma. Como o valor do implemento usado compõe a entrada da compra de um novo, o transportador sente o peso dessa perda no fluxo de caixa. “É um baque enorme, porque isso mexe direto com a capacidade de renovação.”

Ao mesmo tempo, o interesse por composições de maior capacidade começou a crescer, como dos rodotrens. Sobretudo entre clientes do agro, que avaliam rápido retorno com maior capacidade de carga.

João acrescenta que esse movimento deve durar todo o ano, porque a fiscalização tende a continuar rígida. “O transportador pensa duas vezes antes de operar fora da tabela, porque agora o embarcador também responde solidariamente. Isso muda totalmente a dinâmica.”

Fiscalização da tabela de frete vai puxar venda de rodotrem e 4º eixo, diz Librelato
João Librelato explica como a regra acelerou a busca por composições mais longas como rodotrem

Queda de valor do implemento de três eixos e ascensão do 6×4

Seja como for, a mudança da tabela não afeta apenas os implementos. João destaca outro efeito direto. Ou seja, a volta da demanda por cavalos mecânicos 6×4, já que o mercado vinha priorizando 6×2 por custo.

Dessa forma, com a tabela sendo aplicada, a conta do frete para composições mais longas passa a fechar melhor e para isso precisa de cavalos mais robustos. O que reorganiza o mercado de caminhões também, já que tradicionalmente no segmento rodoviário os extrapesados 6×4 têm importante participação.

“Em 2025, o 6×2 vendeu mais do que o 6×4. Agora, a tendência se inverte, porque o rodotrem volta a ganhar importância”, afirma.

Além disso, João observa que um bitrem ou rodotrem, apesar de demandar três emplacamentos, entrega tiquete médio maior para a indústria. E também capacidade superior para o cliente. “Talvez o volume total do mercado não cresça tanto. Mas o valor agregado aumenta.”

Tabela eletrônica cria um divisor de águas no comportamento do embarcador

Outro ponto que João enfatiza é o papel do embarcador. A fiscalização eletrônica agora pune tanto quem transporta abaixo da tabela quanto quem contrata o serviço. Assim, indústrias e tradings também mudaram seu comportamento.

“Muitos embarcadores já avisaram que só vão contratar fretes dentro da legalidade, porque não querem assumir risco de multa”, diz. Na prática, isso empurra o transportador para composições mais eficientes e alinhadas ao piso mínimo. Assim, reforçando a migração para implementos de maior capacidade.