O mercado de veículos comerciais na Europa encerrou 2025 em retração, pressionado por um cenário econômico adverso e pela cautela das transportadoras na renovação de frotas. Dados da ACEA mostram que os principais segmentos, vans e caminhões, registraram queda nas vendas. Enquanto os ônibus foram a única exceção positiva no período.
Os comerciais leves, que representam o maior volume dentro do setor, tiveram retração de 8,8% em 2025, totalizando cerca de 1,16 milhão de unidades emplacadas na União Europeia. Já o segmento de caminhões apresentou queda de 6,2%, com aproximadamente 307 mil unidades registradas.
O recuo foi observado tanto em veículos médios quanto pesados. Assim, refletindo a desaceleração da atividade econômica e a redução dos investimentos em transporte.
Esse desempenho confirma uma tendência observada ao longo do ano. Nos primeiros nove meses de 2025, o mercado já acumulava retração tanto em comerciais leves quanto em caminhões, sinalizando um cenário de enfraquecimento da demanda.
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Ônibus avançam e destoam do restante do setor
Na contramão dos demais segmentos, o mercado de ônibus registrou crescimento de 7,5% em 2025. Ou seja, foram 38.238 unidades emplacadas.
O avanço foi puxado principalmente por mercados como Alemanha e Polônia, com a retomada de investimentos em transporte coletivo em algumas regiões.
Diesel ainda domina, mas eletrificação ganha espaço
Seja como for, apesar da pressão por descarbonização, o diesel segue como a principal motorização. Especialmente no segmento de comerciais leves, com participação superior a 80% do mercado. Embora em queda em relação ao ano anterior.
Por outro lado, os veículos eletrificados começam a ganhar espaço. Os comerciais leves elétricos já respondem por mais de 11% das vendas. Ou seja, praticamente dobrando sua participação em um ano.
No caso dos caminhões, a adoção ainda é mais lenta, com participação reduzida dos modelos elétricos. O que evidencia os desafios estruturais do setor.
Transição energética esbarra em custos e infraestrutura

A eletrificação do transporte comercial na Europa avança, mas em ritmo inferior ao esperado. Entre os principais entraves estão o alto custo de aquisição dos veículos elétricos, a infraestrutura de recarga insuficiente, os custos operacionais ainda elevados e as incertezas regulatórias.
Esse cenário tem levado transportadores a postergar investimentos, aguardando maior maturidade tecnológica e melhores condições econômicas.
Perspectivas: recuperação gradual e pressão por descarbonização
Embora o desempenho de 2025 tenha sido negativo, há expectativa de recuperação gradual. Especialmente na produção de caminhões e ônibus, impulsionada por políticas industriais e necessidade de renovação de frota.
Ao mesmo tempo, a pressão por redução de emissões segue aumentando, exigindo que montadoras e operadores avancem na transição energética, ainda que o ritmo atual esteja aquém das metas estabelecidas pela União Europeia.
















