Arla 32 adulterado aumenta o custo da frota e pode comprometer a operação

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O Arla 32 adulterado representa um risco que vai muito além da manutenção corretiva. Para transportadoras e frotistas, o uso de um reagente fora das especificações pode comprometer a disponibilidade dos caminhões, aumentar o custo operacional e afetar diretamente a produtividade da operação. Dependendo da contaminação, os danos ao sistema de pós-tratamento podem gerar despesas equivalentes a 25% ou até 30% do valor do veículo, além de provocar paradas não programadas.

Segundo Gilles-Laurent Grimberg, especialista da Actioil, não há dados que comprovem o aumento da falsificação nos últimos anos. Entretanto, a fiscalização mais intensa tem identificado um mercado irregular que permanece ativo. Além disso, a expansão da frota equipada com sistema SCR ampliou a demanda pelo reagente e, consequentemente, criou mais oportunidades para fabricantes clandestinos.

“O que podemos afirmar é que o problema continua existindo. Quanto maior a frota equipada com SCR, maior também a oportunidade econômica para produtos de origem duvidosa”, afirma.

Arla 32 adulterado compromete a confiabilidade da frota

O Arla 32 adulterado normalmente apresenta diluição com água, uso de água sem desmineralização adequada ou ureia fora do grau de pureza exigido para aplicação automotiva. Além disso, o produto também pode sofrer contaminação durante a fabricação, o transporte ou o armazenamento.

Segundo Grimberg, o sistema SCR trabalha com parâmetros bastante específicos. Por isso, qualquer alteração na concentração ou na pureza do reagente compromete imediatamente o desempenho do sistema de controle de emissões.

Na prática, uma tentativa de reduzir custos na compra do Arla 32 pode resultar em despesas muito maiores com manutenção corretiva e indisponibilidade da frota.

Arla 32 adulterado aumenta o custo de manutenção

O Arla 32 adulterado não afeta apenas o catalisador. As impurezas também comprometem diversos componentes do sistema SCR, elevando significativamente o valor do reparo.

Entre os principais componentes afetados estão:

  • bomba do Arla;
  • filtros;
  • módulo dosador;
  • injetor;
  • sensores de NOx;
  • sensores de temperatura;
  • catalisador SCR.

Além disso, quando o sistema eletrônico identifica falhas na redução das emissões, ele limita automaticamente o torque e a potência do caminhão. Dessa forma, o veículo perde desempenho e pode interromper a operação antes mesmo de apresentar uma falha mecânica mais grave.

Arla 32 adulterado reduz a disponibilidade dos caminhões

Para o gestor da frota, o maior impacto do Arla 32 adulterado nem sempre está no valor das peças. Muitas vezes, o prejuízo aparece na indisponibilidade do caminhão.

Com perda de potência ou falhas no sistema SCR, o veículo pode interromper a viagem, atrasar entregas, exigir reprogramação logística e permanecer vários dias parado aguardando diagnóstico ou reposição de componentes.

Além disso, a redução da disponibilidade interfere diretamente na utilização dos ativos, na produtividade da frota e, em muitos casos, no cumprimento dos contratos de transporte.

Um abastecimento pode comprometer toda a operação

Ao contrário do que muitos imaginam, apenas um abastecimento com Arla 32 adulterado pode gerar problemas, principalmente quando o produto apresenta contaminação por minerais, óleo, diesel ou outros resíduos químicos.

Quanto maior o nível de contaminação, maior será o risco de formação de depósitos no sistema SCR e de danos permanentes aos componentes.

Por isso, identificar rapidamente qualquer irregularidade reduz significativamente o custo do reparo e evita a substituição completa do conjunto catalítico.

Compra do Arla 32 exige controle na gestão da frota

A aquisição do Arla 32 deve fazer parte da política de gestão de suprimentos da transportadora. Segundo Grimberg, a rastreabilidade do produto é muito mais importante do que apenas o preço.

A recomendação é comprar somente de fornecedores confiáveis, exigir nota fiscal, verificar fabricante, lote, validade e certificações, além de consultar a regularidade do fabricante junto ao Inmetro.

“O preço muito abaixo do mercado não comprova fraude sozinho. Porém, quando vem acompanhado da ausência de rastreabilidade, o risco aumenta bastante”, alerta.

Arla 32 também exige controle de armazenamento

Mesmo quando a compra ocorre de fornecedores regulares, o armazenamento inadequado pode comprometer a qualidade do Arla 32.

Por isso, empresas que utilizam abastecimento próprio precisam manter tanques, bombas, mangueiras e recipientes exclusivos para o produto, sempre protegidos contra contaminação por diesel, óleo ou partículas sólidas.

Além disso, o reagente deve permanecer protegido da incidência direta do sol e armazenado dentro das condições recomendadas pelo fabricante. Temperaturas elevadas aceleram a degradação da solução e alteram sua concentração.

Gestão preventiva reduz prejuízos com Arla 32 adulterado

Caso exista suspeita de utilização de Arla 32 adulterado, a orientação é interromper imediatamente o abastecimento, preservar a nota fiscal, registrar o lote do produto e coletar uma amostra para eventual análise técnica.

Se o reagente já tiver sido utilizado, o ideal é encaminhar o caminhão para diagnóstico antes que a operação continue. Dessa forma, a empresa aumenta as chances de recuperar o sistema sem substituir componentes de alto valor.

Por fim, Grimberg reforça que a retirada ou adulteração do sistema SCR para eliminar o uso de Arla 32 constitui infração ambiental. Além das multas e da apreensão do veículo durante fiscalizações, a prática pode gerar responsabilização da transportadora e das oficinas envolvidas.